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Intergeracionalidade nos Conselhos: Potencial e Complexidade

A intergeracionalidade nos conselhos empresariais está se tornando um tema central nas discussões sobre governança corporativa moderna. No último episódio do Board Talks, que você pode conferir aqu...

Renato de Faria e Almeida Prado
13 de setembro de 2024
4 min de leitura

O debate, mediado por Udo Kurt Gierlich, diretor da Board Academy Br, reuniu profissionais experientes como Paulo Grigorovski, Aleh Bossan ✴️, Daniel Medina, e a Dra. Juliana Seidl, além de minha participação, como vice-coordenador da Comissão Conselho Consultivo do Futuro. O objetivo foi discutir como as diferentes gerações no conselho podem transformar a maneira como as empresas tomam decisões, inovam e se preparam para um futuro cada vez mais incerto.

Minha visão sobre o tema é de que a intergeracionalidade tem dois lados: por um lado, aumenta a complexidade, mas por outro, fornece as ferramentas necessárias para lidar com essa complexidade. A diversidade de perspectivas e experiências das diferentes gerações é um elemento essencial para inovar e promover um ambiente mais resiliente. Estudos, como o da Deloitte, mostram que 83% dos líderes empresariais acreditam que a diversidade geracional estimula a inovação. E para que isso funcione, é crucial que a liderança – o "tom que vem do topo" – realmente caminhe conforme o discurso, ou como dizemos em inglês, "walk the talk", percorrendo o discurso através da adoção dessa diversidade também nos conselhos.

A Dra. Juliana Seidl, especialista em diversidade etária e fundadora da Longeva, trouxe uma visão acadêmica importante sobre as gerações e como o etarismo, o preconceito baseado na idade, afeta tanto os trabalhadores mais velhos quanto os mais jovens. Juliana destacou a importância de combater estereótipos e promover uma inclusão genuína em todos os níveis das organizações. Segundo ela, não se trata apenas de inserir pessoas de diferentes idades nas empresas, mas também de revisar todas as práticas de gestão para garantir que elas sejam inclusivas para todas as gerações. Ela lembrou que “ninguém é jovem demais para ensinar algo novo ou velho demais para aprender algo novo”, uma frase que resume bem a troca de conhecimentos intergeracional que deveríamos promover nos conselhos e nas empresas.

Paulo Grigorovski trouxe uma reflexão interessante sobre o valor da flexibilidade, mencionando uma frase de Joseph Pilates: “Velhice não é uma questão de idade, mas de flexibilidade”. Ele destacou que a capacidade de se adaptar às mudanças, independente da idade, é o que realmente define o sucesso em ambientes corporativos dinâmicos.

Ale Bossan, estrategista empresarial, abordou como a intergeracionalidade se traduz na prática dentro das empresas e nos conselhos. Ele enfatizou a importância de criar ambientes de trabalho onde a diversidade de gerações seja respeitada e promovida. Um dos pontos principais de sua fala foi a necessidade de clareza e moderação no conselho, pois com a diversidade vêm os conflitos, e é essencial que os conselheiros estejam preparados para moderar essas discussões e promover o respeito entre as gerações.

Daniel Medina trouxe uma perspectiva profunda sobre a reputação corporativa, destacando como conselhos diversos são fundamentais para o sucesso de longo prazo. Segundo um estudo da McKinsey, empresas com conselhos diversos têm 36% mais chances de superar seus concorrentes em rentabilidade. Ele argumentou que, além da reputação, a diversidade geracional permite uma governança mais eficaz e um melhor ambiente para a tomada de decisões estratégicas.

No fim, a mensagem que ficou clara é que a renovação dos conselhos é essencial para que as empresas possam enfrentar os desafios modernos. Muitos conselhos ainda sofrem com o viés da acomodação, onde se mantém o status quo com a mentalidade de "sempre fizemos assim". No entanto, os desafios de hoje são novos e demandam soluções criativas e atualizadas, que apenas uma verdadeira diversidade geracional pode trazer.

Convido você a assistir a gravação completa no YouTube aqui e a refletir sobre como a intergeracionalidade pode fortalecer seu conselho e sua organização. A renovação é uma necessidade, e a intergeracionalidade é a chave para construir um futuro mais resiliente e preparado para a complexidade dos negócios.

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Este artigo foi originalmente publicado no LinkedIn.

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